Sempre adorei pesquisar sobre a mente humana, especialmente sobre a mente de um criminoso, era incrível imaginar o que passa pela mente de um criminoso, saber o planejamento para execução de algum crime, as artimanhas adotadas na execução deste crime, as invenções bizarras que fazem para arrombar alguma coisa, seus planejamentos de fuga, dentre outras coisas, eu adorava seriados do estilo Bones, Prison Break (que por sinal aborda uma temática da mente criminosa muito interessante), etc, agora o que passou por minhas mãos recentemente foi uma obra interessantíssima, chamada Carcereiros, do Médico e Escritor Drauzio Varella, tinha minhas dúvidas se deveria ou não comprar esta obra, no entanto, adorei a leitura.
É interessante ver a forma em que os antigos denominados "Carcereiros", atuais Agentes Penitenciários viviam em sua profissão. É de se imaginar que uma profissão em que trata da "escória" da sociedade, da população mais "desprezível" seja algo perigoso, no entanto, é surreal pensar que antigamente 200 "Carcereiros" vistoriavam 20.000 ou até mais visitantes no antigo Carandiru.
É sensacional as histórias ali contadas, não digo que são bonitas, são histórias, algumas engraçadas e maioria são emocionantes (tristes), que certamente, apenas de ler, você começa a refletir diversas coisas em sua vida, imagine só, para quem trabalha em um lugar desses? O que uma pessoa não aprende em um lugar desses? Certamente maioria das pessoas adotando o uso do senso comum, diria que são apenas coisas ruins, imagine só, um cidadão convivendo com uma quantidade absurda de "enjaulados" que certamente estão ali presos por não fazerem coisas boas. No entanto, coisas boas também se aprendem em lugares desse tipo, tais como: valorizar a vida, amar intensamente, valorizar os amigos (companheiros de trabalho), respeitar o próximo e o fundamental, não se vender para a bandidagem.
É incrível imaginar a coragem de poucos 9 (nove) "Carcereiros" desarmados, que tinham por obrigação funcional ficar vigiando quase 2.000 presidiários reincidentes e ter como a única arma presente ali um molho de chaves e sua oratória, sendo que em casos de motim, nada valia aquele "molho de chaves" e sim sua oratória para com os detentos, pois, qualquer palavrinha mal dita ali poderia ser motivo até de decapitação do Agente Penitenciário.
O que mais me impressionou não foi nem pelas condições de trabalho, foi simplesmente a coragem de determinadas pessoas ao adentrarem em um mundo desconhecido, sem qualquer tipo de treinamento, antigamente a forma do trabalho era muito diferente da atual, não existia cursinho de formação, era a pessoa passar no concurso e ser convocado para aparecer no Centro de Detenção na outra semana para se apresentar no serviço. Treinamento? Era o dia a dia no trabalho mesmo.
O que mais me impressionou não foi nem pelas condições de trabalho, foi simplesmente a coragem de determinadas pessoas ao adentrarem em um mundo desconhecido, sem qualquer tipo de treinamento, antigamente a forma do trabalho era muito diferente da atual, não existia cursinho de formação, era a pessoa passar no concurso e ser convocado para aparecer no Centro de Detenção na outra semana para se apresentar no serviço. Treinamento? Era o dia a dia no trabalho mesmo.
O livro demonstra a inteligência de pessoas que são estigmatizadas das piores formas possíveis, ou seja, são menosprezadas pela sociedade quase que no geral, que preconceituosamente os atribuem títulos como corruptos, analfabetos, e diversas outras "qualificações" absurdas, no entanto, não pensam como é lhe dar diariamente com pessoas que estão no mais baixo nível da sociedade, enjauladas por crimes horrendos e que grande maioria, infelizmente, irá retornar aos braços da criminalidade e possivelmente cometer atrocidades piores que os levaram atrás das grades anteriormente.
É claro que em qualquer sistema irá existir corrupção, ou as famosas "ovelhinhas negras", mais, atribuir isso a um contexto geral à classe dos "Carcereiros" e Policiais é um absurdo, sendo que existem classes bem mais respeitadas que a corrupção impera absurdamente.
É uma fantástica obra que nos leva a refletir em como uma rebelião é vista aos olhos de quem tenta contê-la; atos de heroísmo e de covardia; a inteligência dos "Carcereiros" ao conversar com os presidiários para obter algum tipo de informação.
Drauzio Varella conta também sobre sua atividade voluntária como Médico do Sistema Penitenciário, seus altos e baixos, apresenta histórias de pessoas que hoje fazem parte de um grupo fiel de amigos que estiveram presentes em 23 anos em sua vida.
Enfim, é uma excelente obra para quem não vê a realidade destas pessoas e para quem é apaixonado por histórias emocionantes, é um livro que aconselho ler e refletir o quanto esta classe tem melhorado em termos de valorização, no entanto, ainda temos que concluir que ainda carece de muito mais melhorias, seja em estrutura física dos presídios, quanto com relação à segurança das pessoas que protegem a sociedade de pessoas que estão amotinadas atrás das grades por crimes tais como estupros, homicídios, pedofilias, etc e seja pela valorização do trabalho destas pessoas que por diversas vezes dão a vida para não adentrar às portas da corrupção e da marginalidade.

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